
Cheguei do colégio e tive a oportunidade de encontrar minha mãe em casa. Logo quando entrei, pude vê-la. Decidido, fui falar com ela. Não que durante toda esta semana que passara eu não tivesse a encontrado, mas só agora tinha tomado a devida coragem de começar um diálogo. Naquele horário ela deveria estar na creche, jamais almoçava em casa. Ela estava beirando a pia da cozinha, lavando as louças do café, o almoço ainda não estava pronto. A mesa não estava posta. Deixei minha mochila em um canto qualquer no meu quarto e resolvi ajudar a colocar os pratos e os demais utensílios. Esperei mais um pouco, sentei-me.
- Como foi a aula? – Perguntou-me sem muita preocupação.
- Foi boa... E a creche? Não abriu hoje? – Perguntei desconfiado, achando muito estranho ela estar em casa naquele horário.
- Abriu sim. Só que eu estou de folga hoje.
- Em plena terça-feira?
- Sim, estão fazendo umas reformas nas salas que eu leciono. Então as crianças foram remanejadas para outras turmas, onde eu fiquei me sentindo inútil lá. Sendo assim, aqui posso me ocupar mais, limpando a casa, fazendo o almoço, lavando as roupas, estavas com saudade disso tudo não é meu filho?
Eu nem lembrava o que era aquilo para falar a verdade. Sempre senti falta.
- Estava. Na verdade eu estou acostumado e até acho um pouco estranho. Aliás, existem outras coisas que eu estou achando muito estranhas.
Resolvi atacar. Não adiantava nada ficar enrolando. Se eu estava disposto a conversar, que fosse mais direto, afinal eu queria terminar logo com aquilo.
Ela sentou também, parecia assustada. E antes que a comida ficasse pronta, falei o que estava me angustiando há dias.
- O que tu estás achando estranho meu filho?
- Tu sabes mamãe. Aquela nossa conversa sobre teu salário, ainda penso muito naquilo.
E demonstrando-se um pouco irritada, respondeu.
- Eu não acredito que ainda estás remoendo esta história Kelvin.
- Eu sei de tudo mãe – Fui seco nas palavras.
Ela deixou o olhar raivoso, e no lugar veio um olhar nervoso.
- Tudo? Tudo o quê? – Ela sentia medo. Era visível. E eu me sentia bem. Sentia-me poderoso. De todas as vezes em que tentei conversar com minha mãe sobre isso, aquela era a primeira na qual ela não tinha saída, além de contar toda a verdade.
- Sim. Eu sei tudo. Sei que tu és prostituta. Sei que o dono da creche onde tu trabalhas é um de teus clientes. Sei que tu estás ganhando muito bem por conta disso, eu mesmo vi teu holerite não é? Mas agora também sei que não fazes horas-extras coisa nenhuma. Quer dizer, fazes horas-extras sim, mas não da forma que me fazias imaginar. – Pronto, agora cabia a ela toda explicação. Eu sentia que muita coisa ia mudar depois disso.
- Como foi a aula? – Perguntou-me sem muita preocupação.
- Foi boa... E a creche? Não abriu hoje? – Perguntei desconfiado, achando muito estranho ela estar em casa naquele horário.
- Abriu sim. Só que eu estou de folga hoje.
- Em plena terça-feira?
- Sim, estão fazendo umas reformas nas salas que eu leciono. Então as crianças foram remanejadas para outras turmas, onde eu fiquei me sentindo inútil lá. Sendo assim, aqui posso me ocupar mais, limpando a casa, fazendo o almoço, lavando as roupas, estavas com saudade disso tudo não é meu filho?
Eu nem lembrava o que era aquilo para falar a verdade. Sempre senti falta.
- Estava. Na verdade eu estou acostumado e até acho um pouco estranho. Aliás, existem outras coisas que eu estou achando muito estranhas.
Resolvi atacar. Não adiantava nada ficar enrolando. Se eu estava disposto a conversar, que fosse mais direto, afinal eu queria terminar logo com aquilo.
Ela sentou também, parecia assustada. E antes que a comida ficasse pronta, falei o que estava me angustiando há dias.
- O que tu estás achando estranho meu filho?
- Tu sabes mamãe. Aquela nossa conversa sobre teu salário, ainda penso muito naquilo.
E demonstrando-se um pouco irritada, respondeu.
- Eu não acredito que ainda estás remoendo esta história Kelvin.
- Eu sei de tudo mãe – Fui seco nas palavras.
Ela deixou o olhar raivoso, e no lugar veio um olhar nervoso.
- Tudo? Tudo o quê? – Ela sentia medo. Era visível. E eu me sentia bem. Sentia-me poderoso. De todas as vezes em que tentei conversar com minha mãe sobre isso, aquela era a primeira na qual ela não tinha saída, além de contar toda a verdade.
- Sim. Eu sei tudo. Sei que tu és prostituta. Sei que o dono da creche onde tu trabalhas é um de teus clientes. Sei que tu estás ganhando muito bem por conta disso, eu mesmo vi teu holerite não é? Mas agora também sei que não fazes horas-extras coisa nenhuma. Quer dizer, fazes horas-extras sim, mas não da forma que me fazias imaginar. – Pronto, agora cabia a ela toda explicação. Eu sentia que muita coisa ia mudar depois disso.



