
- Isso não faz sentido algum... – Sussurrei.
- Por que não faz? – Perguntou tia Vânia curiosa, já que conseguiu ouvir minha voz fraca.
- Susan pediu que eu visse o holerite da minha mãe. Jogou isso na minha cara. E eu fui ver. E no holerite tinham muito mais que seiscentos reais. Se ela fosse prostituta, não ganharia esse dinheiro junto do salário da creche, ganharia por fora. Por isso eu acredito que não seja isso tia. Tu estás me escondendo alguma coisa ou tu só podes estar mentindo! E o pior: tu sabes de tudo, de toda a verdade porque se Susan me avisou isso é porque tu contaste a ela.
E sem medo de responder, com um pouco de raiva por estar sendo chamada de mentirosa, respondeu imediatamente fazendo as peças se encaixarem.
- Sim, contei tudo à Susan porque é minha filha. Sua mãe é que deveria lhe contar tudo também. Acontece que sua mãe tinha um cliente que era muito exigente. Ele queria que sua mãe se vendesse apenas para ele, não se prostituindo a mais ninguém. Algo fixo, como dizem as mulheres do ramo. E esse homem... Exigente... É o dono da creche onde sua mãe trabalha. Então ele paga mensalmente sua mãe e você notou que não é pouco. Ele é um homem rico. Muito rico. A ponto de não ser dono apenas de uma das melhores creches de Destilândia, como também de mais duas escolas particulares na capital do estado.
E percebendo que não havia mais nenhuma forma de imaginar que aquilo tudo não passava de um mal entendido, fiquei preso ao sofá como se estivesse colado ali. Ou eu aceitava as coisas, como estavam sendo mostradas com um único tapa, ou... Ou eu aceitava. Não tinha saída. E eu queria aceitar.
- Nossa... Então mamãe está envolvida com um homem rico e por isso... Sim agora tudo faz sentido... – Eu dizia ainda meio inconformado.
- Sim querido. – Disse ela aliviada por perceber que eu havia finalmente entendido tudo que ouvira.
Nem tudo. Eu ainda estava cheio de dúvidas.
- Tia! Mas por que então que nossa vida continua uma merda? Se ela ganha tão bem, e segundo a senhora, fez tudo isso para melhorar nossa vida, por que não melhorou? – Esta era sim uma grande dúvida.
- Não sei... Isto só ela poderá lhe dizer.
E logo entendi que eu precisava ter uma conversa de verdade com minha mãe. Aquela coisa de meias palavras tinha que acabar. Agora eu precisava conversar seriamente. Ela precisava aceitar um papo de mãe para filho. E eu estava seguro de que a convenceria de se abrir comigo. Só havia me esquecido de que eu também tinha muita coisa para contar. De qualquer forma, eu preferiria uma coisa de cada vez.
- Por que não faz? – Perguntou tia Vânia curiosa, já que conseguiu ouvir minha voz fraca.
- Susan pediu que eu visse o holerite da minha mãe. Jogou isso na minha cara. E eu fui ver. E no holerite tinham muito mais que seiscentos reais. Se ela fosse prostituta, não ganharia esse dinheiro junto do salário da creche, ganharia por fora. Por isso eu acredito que não seja isso tia. Tu estás me escondendo alguma coisa ou tu só podes estar mentindo! E o pior: tu sabes de tudo, de toda a verdade porque se Susan me avisou isso é porque tu contaste a ela.
E sem medo de responder, com um pouco de raiva por estar sendo chamada de mentirosa, respondeu imediatamente fazendo as peças se encaixarem.
- Sim, contei tudo à Susan porque é minha filha. Sua mãe é que deveria lhe contar tudo também. Acontece que sua mãe tinha um cliente que era muito exigente. Ele queria que sua mãe se vendesse apenas para ele, não se prostituindo a mais ninguém. Algo fixo, como dizem as mulheres do ramo. E esse homem... Exigente... É o dono da creche onde sua mãe trabalha. Então ele paga mensalmente sua mãe e você notou que não é pouco. Ele é um homem rico. Muito rico. A ponto de não ser dono apenas de uma das melhores creches de Destilândia, como também de mais duas escolas particulares na capital do estado.
E percebendo que não havia mais nenhuma forma de imaginar que aquilo tudo não passava de um mal entendido, fiquei preso ao sofá como se estivesse colado ali. Ou eu aceitava as coisas, como estavam sendo mostradas com um único tapa, ou... Ou eu aceitava. Não tinha saída. E eu queria aceitar.
- Nossa... Então mamãe está envolvida com um homem rico e por isso... Sim agora tudo faz sentido... – Eu dizia ainda meio inconformado.
- Sim querido. – Disse ela aliviada por perceber que eu havia finalmente entendido tudo que ouvira.
Nem tudo. Eu ainda estava cheio de dúvidas.
- Tia! Mas por que então que nossa vida continua uma merda? Se ela ganha tão bem, e segundo a senhora, fez tudo isso para melhorar nossa vida, por que não melhorou? – Esta era sim uma grande dúvida.
- Não sei... Isto só ela poderá lhe dizer.
E logo entendi que eu precisava ter uma conversa de verdade com minha mãe. Aquela coisa de meias palavras tinha que acabar. Agora eu precisava conversar seriamente. Ela precisava aceitar um papo de mãe para filho. E eu estava seguro de que a convenceria de se abrir comigo. Só havia me esquecido de que eu também tinha muita coisa para contar. De qualquer forma, eu preferiria uma coisa de cada vez.


















