
Fazia quatro meses que eu e Susan não conversávamos. Aquele teria sido um grande passo para que nós pudéssemos nos entender melhor. O problema é que acabei escolhendo o caminho errado. Ao invés de eu tentar fazer florir novamente nossa amizade, resolvi arriscar separando o casal. Meu plano inicial era reprovar Susan na escola. Como os ‘pombinhos’ sempre andavam juntos, se ela reprovasse, ele reprovaria também. A diferença é que Susan não continuaria estudando no mesmo lugar se reprovasse, pois tia Gilda jamais aceitaria tal decepção. Já com o Beny seria diferente, pois seus pais mal se importavam se ele passara ou não... Eles apenas importavam-se com o dinheiro e nada mais. Desde que o filho estivesse na melhor escola da cidade, tudo estaria bom para eles. Nesse ponto até Susan foi influenciada. Susan nunca foi rica. De uns tempos até o atual, ela vinha mudando sua aparência, seu modo de falar e até mesmo suas companhias, e já não quero mais lembrar disso. Beny era um garoto rico. Talvez se interessasse apenas por garotas ricas também. Eu não acreditava que os pais de Beny não implicavam com Susan por ela não ser o que realmente gostaria. Olhando para Susan eu podia vê-la rica com todas as suas mudanças. Era uma pobre disfarçada de rica. Eu continuava como sempre fui: pobre. Não muito, mas o suficiente para não chegar aos pés dos ‘pombinhos’. Talvez fosse este o motivo no qual Susan ignorava-me tanto. Quem sabe ela não admitia mais andar com pessoas abaixo do seu patamar. Patamar que ela achava estar. Eu era bolsista na escola, jamais poderia reprovar. Susan se reprovasse, com certeza não poderia mais andar com Beny. Talvez pudesse sim... Mas não como estavam andando ultimamente. Eu esperava que os dois não pudessem se ver mais e assim desistissem dessa idéia maluca de se conhecer antes de namorar. Parecia-me algo feito sem vontade. Susan certamente não se sentia bem passando por toda aquela farsa. Beny certamente não se atrairia tanto por uma garota que mente ser o que não é e que descaradamente mostra querer apenas de destacar ao lado dele. Foi quando resolvi esperar Susan em casa depois do shopping. Aproveitei que minha tia, assim como minha mãe, chegaria às dezenove horas e teria um bom tempo para conversar com Susan. Eu tinha a chave da casa dela. Bastava entrar e esperar. Quando chegasse, iríamos conversar como sempre conversávamos antes, porém desta vez para nos entender ou para eu entender o que passava em sua mente. Aquela conversa rápida na estrada não tinha sido suficiente. Eu precisava conversar mais. A sós. Meu plano ainda não estava finalizado. Eu sabia que ela ficaria chateada comigo, então eu tinha duas coisas a fazer: separá-los e conseguir que ela me perdoasse mais tarde, tarefa que não seria muito fácil. Eu já estava me preparando para isso. Ela demorou mais que minha previsão. Quando chegou, levou um susto.

Um comentário:
O benny esta virando FLORA!!!
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