terça-feira, 27 de janeiro de 2009


Depois daquele troca-troca de presentes, fiquei um pouco triste porque percebi que Beny não me abraçara como abraçou Susan. Depois, aconteceu algo inesperado. Todas as luzes da casa apagaram-se. Susan gritou. Também levei um susto, mas não gritei. Tia Gilda nos tranquilizou e acendeu algumas velas. Eram quase duas horas da manhã. Nós iríamos todos dormir na casa da tia Gilda. Era praticamente ao lado na nossa casa, mas havia dois quartos, então caberíamos nós cinco ali. Sem luz, dormir era a única coisa que podíamos fazer. Fui à varanda respirar um pouco de ar puro. A estrada estava escura, muito escura. O som da noite fazia-me refletir um pouco e imaginar coisas. Som que se resumia basicamente em ruídos de grilos e outros animais. Eu gostava e necessitava disso. O silêncio e a temperatura perfeita para relaxar. Minha reflexão traria bons resultados, me ajudaria a tomar as melhores decisões. Um novo ano estava tão próximo e todos diziam que devemos fazer do novo ano melhor que o anterior. Meu novo ano começaria bem, a princípio. Eu estipulei algumas metas e segui-las-ia. Quanto ao meu Beny eu pensava se ainda valia a pena arriscar, perder a amizade que tinha com Susan e tentar, talvez sem sucesso, tê-lo para mim. Não era obsessão. Era apenas uma simples tentativa, caso não desse certo, tudo bem, eu seguiria minha vida como sempre segui sem ele.
A varanda da casa da tia Gilda sempre foi assim. Um sofá verde para descansar e uma rede pendurada na parede com ambas as pontas no mesmo gancho, nunca usada, quem sabe o sofá fosse melhor. Havia também um antigo tanque de cimento cheio de água. Se faltasse água também, teríamos socorro. Eu gostava mais daquela varanda do que a varanda da nossa casa. Ali eu me sentia bem. Senti sensação de liberdade. Liberdade para pensar, como se eu nunca pudesse pensar livremente antes. Beny entrou na varanda. Ele veio me procurar pois eu havia saído sem avisar. Quase não me viu. Viu apenas minha sombra. Culpa da lua e das estrelas. Eu não estava fazendo nada, apenas pensando mesmo, em pé, sem se mover.
- Vamos entrar? É perigoso aqui.
Não ouvi. Culpa da minha distração. Então, ele tocou em meus ombros quebrando meu silêncio.
- Desculpa Beny... O que tu disseste?
Ele riu.
- Eu convidei você para entrar porque é perigoso aqui fora.
Eu não achava perigoso, apenas sentia um pouco de medo, mas por causa do escuro. Como as luzes dos postes também estavam apagadas, a escuridão era ainda pior. Realmente todo o bairro estava sem luz. Na travessa Maria Auxiliadora, onde morávamos, alguns moradores reclamavam, mas eu não me incomodava com isso. Tia Gilda caprichou, pôs velas na sala, na cozinha, nos quartos e até no banheiro. Susan ficou no seu quarto deitada na cama olhando para o teto. Resolvi aceitar o convite de Beny.
- Eu preciso dormir. Espero que todos façam silêncio. – Disse para Beny, que concordou e contou que esperava o mesmo porque estava cansado.
Entramos. Beny trancou a porta. Não parei em nenhum cômodo da casa, fui direto ao quarto de Susan. Não sei se ela gostou, mas quando entrei, desejou-me boa noite e desejei o mesmo para ela.

Um comentário:

Wise-Boy disse...

Ai cebrou o clima do benny com a susan huhauahuah