segunda-feira, 15 de dezembro de 2008


- O que você está fazendo aqui?
Eu no sofá. Ela em pé, próxima à porta.
- E por que não estaria? Nós éramos amigas, esqueceste?
- Não esqueci. Mas acredito que nossa amizade já acabou. Não temos mais o que conversar.
- Não. Nossa amizade não acabou. Você quis destruí-la. Lembro-me de que tu conheceste um amigo e gradativamente foste se afastando de mim sem motivo algum.
- Claro eu estava querendo conquistá-lo, pensa que eu diria para ele que sou prima de alguém assim como você?
Fiquei sem palavras... Senti que ela queria me inferiorizar, mas questionei, pois naquele momento eu apenas imaginava as piores coisas nas quais Susan poderia estar pensando sobre mim.
- Assi... Assim como eu... Como?
- Tenho vergonha desse seu jeito estranho de falar, do teu jeito estranho de se vestir, das suas mimas e manias loucas...
- Não acredito que tu estás me dizendo isso... Por que nunca me disseste isso antes quando Beny não tinha aparecido na tua vida?
Levantei-me. Ela se sentou.
- E iria adiantar?
- Não sei... Meu jeito de falar... Nossa tu sabes que aprendi com minha mãe. Com certeza é melhor do que o modo que tu falas. Modéstia à parte eu sei que falo muito bem.
- Você fala bem demais então... Isso não é um problema, mas essas roupas que você usa, para quê? Você não vê a moda como anda? Não se importa como os outros vão olhar para você?
- Me importo – Já chorando – Tu é que nunca te importaste com essas pequenas coisas. A partir do momento que começaste a andar com Beny, é que tu ficaste assim... Eu não mereço isso. E tu sabes o quanto somos pobres... Minha mãe mal pode comprar meus materiais escolares, quem dirá minhas roupas... Eu faço o possível para andar com uma boa roupa... Aliás, isto não é motivo para se ter o fim de uma amizade.
- É um bom motivo sim... Eu agora passei a viver com pessoas diferentes, eu não posso misturar as coisas. E quanto às suas roupas, que mentira a sua! Sua mãe ganha bem... Ela não é pobre coisa nenhuma! Você nunca teve curiosidade em olhar um holerite dela, por exemplo?
Aquilo me deixou em estado de choque.
Susan recusou-se continuar conversando comigo. Eu voltei para casa e fiquei pensando naquilo. Não conseguia pensar em outra coisa. Uma pergunta nunca havia me intrigado tanto. Imaginei tantas coisas. Eu precisava tirar essa dúvida com minha mãe. Engraçado que naquele dia, mamãe demorou tanto para chegar. Esperei. Cochilei. Mais tarde, quando mamãe chegou, fui imediatamente falar com ela.

Um comentário:

Wise-Boy disse...

Kelvin Kelvin, vc é um noveleiro rs... muito bom