
- Por que me olhas desse jeito? - perguntou-me ela meio desconfiada.
- Mãe, nós precisamos ter uma conversa séria.
- Sim, sobre o que é? - sentando-se no sofá ao meu lado e ainda mais desconfiada.
- Mãe, eu posso ver teu contracheque?
- Que contracheque?
- Qualquer um, mãe. Eu quero saber quanto tu ganhas por mês.
- Por que isso agora?
- Mãe, por favor, mostre-me.
O que me deixou ainda mais sem forças foi ver que minha mãe se recusava a me mostrar seu holerite. Ela abriu a bolsa, procurou bastante e achou. Pegou-o nas mãos e me disse que este era do mês passado. Estendi as mãos e ela me entregou. Olhei com cuidado e percebi que realmente Susan falara a verdade. Minha mãe ganhava muito bem. Aquele papel a poucos centímetros de distância em minhas próprias mãos. Eu não podia acreditar. Sempre pensei que fossemos pobres, mas com aquele valor, eu e ela poderíamos ter uma vida mais tranqüila financeiramente. Olhei novamente, pois talvez estivesse enxergando algo errado. Era realmente o que havia visto na primeira vez. Mamãe era quase rica e consequentemente eu também. Onde andaria aquele dinheiro que ela recebera? O que ela fizera com o dinheiro que em todos esses meses recebera em alto valor desde que papai nos deixou? Eu bem conhecia nossa dificuldade, nossa vida triste, nossa pobreza antepassada. De onde mamãe ganhara tão bem assim? Há quanto tempo? Papai sabia disso? Talvez ela escondesse até mesmo dele... Quantas perguntas para nenhuma resposta. Olhei para ela. Ela me olhou. Eu, nada disse. Ela, nada comentou. Eu não consigo descrever meu sentimento naquele momento. Eu estava feliz e triste ao mesmo tempo. Senti vontade de chorar, mas não sabia se de felicidade ou tristeza. Ela tomou o papel de minhas mãos.
- Pronto. Agora me diga por que isso agora?
- Por que tu escondeste isto de mim, mãe?
- Escondi o quê, meu bem?
- O teu salário. Não te faças te desentendida, mãe!
- Que tem meu salário?
- Pelo amor de Deus, mãe, não brinca comigo. Três mil reais é muito dinheiro... Como podemos viver com toda essa pobreza se moramos somente eu e tu? Esse salário é suficiente para que possamos ter uma vida tranqüila com relação às finanças. Essa tranqüilidade eu nunca vi reinar em nossa casa, mãe. Eu imaginava que tu ganhavas muito menos que isso. Tu sempre me disseste que professora ganhava pouco, não era uma profissão tão bem reconhecida pelo seu esforço e dedicação. Vivias reclamando do valor do teu salário e agora me deparo com isto? Com certeza todos os nossos gastos mensais não ultrapassam de meros oitocentos reais. O que fazes com o restante, eu posso saber?
- Tu pensas que estás falando com quem? Sou sua mãe.
- Sim... E que mãe, não é mesmo? Por que uma mãe esconderia isso de um filho ou de uma filha? Eu não digo que tu precisavas utilizar todo esse dinheiro. Não digo que tu precisavas gastar tudo isso conosco. Só me pergunto por que minha própria mãe esconde todo esse dinheiro de mim. Tu por acaso tens medo que eu vá te roubar? Desculpe-me, mas essa é a única coisa que consigo pensar no momento como resposta a todas essas minhas dúvidas.
- Mãe, nós precisamos ter uma conversa séria.
- Sim, sobre o que é? - sentando-se no sofá ao meu lado e ainda mais desconfiada.
- Mãe, eu posso ver teu contracheque?
- Que contracheque?
- Qualquer um, mãe. Eu quero saber quanto tu ganhas por mês.
- Por que isso agora?
- Mãe, por favor, mostre-me.
O que me deixou ainda mais sem forças foi ver que minha mãe se recusava a me mostrar seu holerite. Ela abriu a bolsa, procurou bastante e achou. Pegou-o nas mãos e me disse que este era do mês passado. Estendi as mãos e ela me entregou. Olhei com cuidado e percebi que realmente Susan falara a verdade. Minha mãe ganhava muito bem. Aquele papel a poucos centímetros de distância em minhas próprias mãos. Eu não podia acreditar. Sempre pensei que fossemos pobres, mas com aquele valor, eu e ela poderíamos ter uma vida mais tranqüila financeiramente. Olhei novamente, pois talvez estivesse enxergando algo errado. Era realmente o que havia visto na primeira vez. Mamãe era quase rica e consequentemente eu também. Onde andaria aquele dinheiro que ela recebera? O que ela fizera com o dinheiro que em todos esses meses recebera em alto valor desde que papai nos deixou? Eu bem conhecia nossa dificuldade, nossa vida triste, nossa pobreza antepassada. De onde mamãe ganhara tão bem assim? Há quanto tempo? Papai sabia disso? Talvez ela escondesse até mesmo dele... Quantas perguntas para nenhuma resposta. Olhei para ela. Ela me olhou. Eu, nada disse. Ela, nada comentou. Eu não consigo descrever meu sentimento naquele momento. Eu estava feliz e triste ao mesmo tempo. Senti vontade de chorar, mas não sabia se de felicidade ou tristeza. Ela tomou o papel de minhas mãos.
- Pronto. Agora me diga por que isso agora?
- Por que tu escondeste isto de mim, mãe?
- Escondi o quê, meu bem?
- O teu salário. Não te faças te desentendida, mãe!
- Que tem meu salário?
- Pelo amor de Deus, mãe, não brinca comigo. Três mil reais é muito dinheiro... Como podemos viver com toda essa pobreza se moramos somente eu e tu? Esse salário é suficiente para que possamos ter uma vida tranqüila com relação às finanças. Essa tranqüilidade eu nunca vi reinar em nossa casa, mãe. Eu imaginava que tu ganhavas muito menos que isso. Tu sempre me disseste que professora ganhava pouco, não era uma profissão tão bem reconhecida pelo seu esforço e dedicação. Vivias reclamando do valor do teu salário e agora me deparo com isto? Com certeza todos os nossos gastos mensais não ultrapassam de meros oitocentos reais. O que fazes com o restante, eu posso saber?
- Tu pensas que estás falando com quem? Sou sua mãe.
- Sim... E que mãe, não é mesmo? Por que uma mãe esconderia isso de um filho ou de uma filha? Eu não digo que tu precisavas utilizar todo esse dinheiro. Não digo que tu precisavas gastar tudo isso conosco. Só me pergunto por que minha própria mãe esconde todo esse dinheiro de mim. Tu por acaso tens medo que eu vá te roubar? Desculpe-me, mas essa é a única coisa que consigo pensar no momento como resposta a todas essas minhas dúvidas.

Um comentário:
Bafão.... mamãe mentirosa hihihi
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