domingo, 30 de novembro de 2008


Logo após eu ter perdido meu pai, tia Gilda foi morar nos fundos da nossa casa. Nossa casa tinha um bom terreno, daria para alojar até mais famílias, mas só a tia Gilda era o suficiente. Junto com minha tia veio também minha prima, filha dela. A partir daí, pude conviver mais com minha prima que eu mal conhecia. Elas moravam em Palhoça e resolveram ficar um tempo conosco, mas esse tempo acabou se prolongando bastante e elas não resolveram mais voltar. Destilândia segura as pessoas, é uma cidade aconchegante e todos são bem recebidos, com exceção nós. Com o tempo, as pessoas não se imaginam longe dali e isso aconteceu exatamente com tia Gilda e sua filha. Tia Gilda é mãe de Susan e Susan era a melhor amiga de Beny, o garoto mais fofo da escola, pelo menos pra mim. Nós estávamos na oitava série, os três, e cada um em uma sala diferente. Mamãe e Tia Gilda sempre me faziam estudar de manhã, enquanto Susan estudava à tarde. Então eu ficava a tarde toda limpando a casa e Susan dormia até tarde todos os dias e não fazia nada. Eu sempre limpava a casa com o mesmo carinho que minha mãe ensinara enquanto Susan era uma preguiçosa e eu confesso que eu a invejava nesse ponto. Eu achava tão chato arrumar a casa, mas em compensação eu não podia vê-la suja, então surgia meu carinho pela limpeza. Beny sempre estudou a tarde também e quando começou a estudar na sala da Susan eles não saíam mais de perto um do outro. Pareciam amigos de infância. Susan me deixou de lado... Eu e Susan, desde que nos conhecemos, éramos uma só pessoa, era minha amiga para o que desse e viesse. Segredos, novidades, tudo! Nós nos entendíamos apenas por olhares. Os olhares dela que não foram mais a minha procura. Mesmo morando tão perto, Susan era capaz de me ignorar, pois parecia estar ficando cega por um simples amigo que acabava de conhecer. Mas eu me enganei. Eles não eram somente amigos.

Um comentário:

Wise-Boy disse...

Essa tua dorzinha de cabeça deixa a história ótimas rs