quinta-feira, 30 de julho de 2009


O filme mal havia começado, Rafael segurou minha mão. Meu coração disparou. Encostei minha cabeça em seu ombro e continuamos a assistir, ambos morrendo de medo. Minutos depois quando eu estava concentrado no filme, Rafael tomou uma atitude que eu nunca vivera em um cinema antes. Levou sua boca até minha orelha e com mordidinhas leves, sussurrou que sempre quis estar comigo da maneira que estávamos. Era um momento único. Não havia muitas pessoas próximas a nós, mas algumas dessas poucas presentes de vez em quando nos encaravam, com olhar curioso ou invejoso. Num pequeno deslize, Rafael me deu um beijo de cinema, literalmente. Beijo com um ótimo sabor, molhado, macio, demorado, incrível. Fiquei excitado. Sua língua percorria minha boca e procurava novos movimentos. Quanto mais nos beijávamos, mais queríamos nos beijar.
O clima se estendeu mais do que eu esperava. Nosso romance ardia e deslumbrava até mesmo os atores, que naquele momento deixaram de se matar atrás da tela e deram espaço aos créditos finais. Este fora apenas o primeiro filme no qual eu e Rafael não vimos o final.
Todos saíam da sala escura, inclusive nós dois. As pessoas comentavam sobre o filme, nós não. Só nos olhávamos. Os passos lentos e com nenhuma intenção de se apressar. O shopping estava deserto. Fomos ao estacionamento. Demos uma olhada em volta, encontramos o veículo que nos esperava. Eu já o conhecia. Estava da mesma forma como da ultima vez que eu o vira, no acampamento. Rafael desativou o alarme e entramos no carro. Ligou o rádio e pôs um CD. Enquanto ouvíamos algumas músicas românticas, algo muito intencional, ele pegou minha mão esquerda e colocou sobre sua coxa direita. Partimos. O destino eu não sabia. Talvez nem ele.
- Onde estamos indo? – Perguntei curioso.
- Para minha casa.

Um comentário:

Wise-Boy disse...

Bafão hauhauaha, wise não é assim.