segunda-feira, 27 de julho de 2009


Sai de casa sorridente e fui o quanto antes ao ponto de ônibus para que não o perdesse. Esperei apenas três ou quatro minutos e ele chegou. Subi a escada, paguei a passagem, passei a catraca e caminhei em direção ao último banco. Sentei-me. O ônibus estava vazio naquele fim de tarde. Eu gostava da janela esquerda. Outro dia um homem deu em cima de mim quando estava no mesmo banco. Fiquei nervoso, mas não deixei de sentar naquele lugar escondido, inseguro, mas meu preferido.
Vinte minutos foram suficientes para que eu chegasse ao shopping. Tive sorte, pois quase não tiveram paradas e era uma linha expressa. Desci. Olhei o movimento. Muita gente passava por ali, muitos com pressa. Estava começando a chover. Corri um pouco e entrei na loja Grande, literalmente grande. Ficava em uma das entradas. Dali em diante, eu mal conseguia caminhar direito. Tremia feito um cachorro em banho frio. Tinha a impressão de estar prestes a conhecer alguém que eu nunca tivesse tido contato antes. Fiquei pensando como eu iria chegar até ele, o que eu diria, aonde iríamos. E nem foi preciso pensar tanto. Rafael me abordou antes que eu planejasse qualquer coisa.
- Oi Kelvin! Encontrei você bem rápido.
- Sim. Estou surpreso, tu chegaste mais cedo que eu. Moro bem mais perto que tu.
- É que vim de carro.
- Claro, tinha me esquecido deste detalhe.
Ele tinha carro, como pude me esquecer? Comecei a ficar nervoso.
- O que iremos fazer?
Tinha que responder alguma coisa. Mas o quê?
- Vamos dar uma volta... Lojas, vitrines, praça de alimentação. Cinema! Isso, vamos ao cinema.
- Minha ideia inicial era exatamente essa. E ainda tenho duas lojas com contas vencidas.
Passeamos bastante e a noite foi caindo. Rafael pagou as contas vencidas e ainda choramingou dizendo que seus cartões de créditos estavam o enforcando. Retruquei dizendo que ele mesmo se enforcara, devia ter mais controle. E nessas idas e vindas a noite foi se debruçando sobre o local. Tetos de vidro permitiam notar tal efeito. O shopping já estava fechando quando resolvemos assistir um filme. Assistimos a um filme aterrorizante. O Costureiro. Terror ao extremo. Eu adorava filmes do gênero e quanto mais fortes mais eu ficava fascinado, e ainda fico, mas eu sabia que para aquele momento não era exatamente este tipo de filme o mais adequado.

Um comentário:

Wise-Boy disse...

sim filme de terror é xuxa, pena que não pra ocasião.