sexta-feira, 31 de julho de 2009


Rafael morava com os pais. Beny o conhecia desde pequeno. Brincavam de carrinho, esconde-esconde, pega-pega e outras brincadeiras que as crianças da mesma época brincavam. E nunca se cansavam. Eu mesmo nunca me cansaria de correr de um lado para o outro até que o sono me pegasse de jeito e me derrubasse numa cama. A mamãe chegava no portão e gritava para que todos ouvissem. Hora do almoço. Hora do café. Hora de ir para cama. Eu odiava todas essas horas, por ter de deixar de lado toda a diversão, mas gostava de almoçar, de tomar café, de dormir, vai entender. Éramos crianças lindas como a maioria das crianças são. Engraçadinhas, bonitinhas, sapequinhas. E todas elas cresceram. Rafael também cresceu como todas as outras, e além de crescer com o passar dos anos, tornou-se um garoto atraente, bonito e sim, bastante sapeca.
Rafael era enorme. Tinha quase um metro e noventa de altura. Seu corpo era quase atlético, possuía curvas que em certos momentos eram irresistíveis. Seus olhos eram verdes e sua pele bem clara. Cabelos castanhos, porém bem claros também. Tudo nele era claro. Bem, se era realmente tudo, eu não tinha certeza, mas desconfiava.
- Rafa eu não posso ir para tua casa.
- Por que você não pode?
- Primeiro que eu não avisei minha mãe, segundo que a gente se conheceu pessoalmente hoje. Pelo menos como duas pessoas que se gostam, foi a primeira.
- Como assim? Então quer dizer que só porque nós os conhecemos hoje, você vai ficar me evitando? – Gritava.
- Eu não estou te evitando, muito pelo contrário, o que mais quero é ficar contigo, mas tudo tem seu tempo. Por que tu achas que eu devo ir para tua casa hoje?
- Kelvin nós ficamos hoje, foi tão bom, não acredito que você não gostou.
- Não, tu estás entendendo errado. Eu gostei sim.
- Então por que não quer ir para a cama comigo?
- Cama? Era casa, agora virou cama?
- Eu vou fazer de tudo para você se derreter de prazer.
- Rafa, me escuta.
Ele sentiu que eu estava falando sério e resolveu me dar ouvidos ao invés de falar e gritar sem pausas.
- Eu nunca transei. Nunca havia ficado com outro rapaz. Tu me deste a chance de conhecer isso hoje. Por favor, não faça que essa noite perfeita termine assim. Eu não vou conseguir ir para a cama contigo hoje. Não me sinto preparado e estou nervoso também. Nós continuaremos nos encontrando, a não ser que tu não queiras. E nesses próximos encontros sim, a gente pode se envolver mais. Eu sei que tu vais me entender. E ainda por cima, eu não posso dormir fora hoje, minha mãe já deve estar preocupada.
Rafael ficou pensativo e comovido com o que ouvira. Pensei que ele iria chorar, seus olhos encheram de lágrimas.
- Tudo bem gatinho. Desculpe-me por tudo isso.
Ficamos quietos até chegar ao meu bairro. Pensei em tocar no assunto do acampamento, mas desisti. Quando chegamos pedi para que ele parasse próximo a minha casa, não em frente. Não queria que minha mãe desconfiasse de nada.

Um comentário:

Wise-Boy disse...

Affe, rafael safadão, wise não gosta dessas coisas, esse lado da naza não pode.