sábado, 1 de agosto de 2009


Tomei banho e fui direto para minha cama. Minha mãe perguntou se eu queria comer e disse ter feito um risoto delicioso. Respondi que estava sem fome e que já havia comido fora. Nada mais que pipocas desceram até meu estômago desde o almoço. Tudo bem que eu havia almoçado lá pelas três da tarde. Deitei e comecei a chorar. Nunca chorei tanto em uma única noite. Não fiz barulho, apenas encharquei meu rosto com o líquido que saía dos meus olhos sem parecer ter fim. Comecei a obter um raciocínio diferente sobre a vida. Por que preferi passar a noite sozinho, chorando, que passá-la com Rafael, tendo os melhores prazeres prometidos por ele? A resposta era o medo. Eu sentia medo de tudo aquilo que precisasse fazer. Imaginei pessoas descobrindo que fiquei com um rapaz, me chamando de veado, minha mãe me expulsando de casa e eu depois de tudo isso continuando a não conseguir ficar com garotas porque tinha um sentimento totalmente diferente ao estar com um garoto, algo inexplicável, como quando estava de férias e pude visitar o parque de diversões que sempre sonhei em estar. A grande diferença era que em parques de diversão a gente vai com o único intuito de se divertir, enquanto estar ao lado de um garoto que eu gostasse e que gostasse de mim era se sentir muito mais que alegre, mas feliz, completo, sem a necessidade de precisar de algo a mais para viver. E a grande semelhança entre um e outro, era o medo que se sentia antes de entrar em algo novo, como algum brinquedo radical, no qual nunca estivera entrado. Lembro-me da primeira vez que andei em uma roda-gigante. Enquanto eu e meus pais esperávamos na fila, eu senti medo, muito medo. Comecei a imaginar coisas ruins acontecerem e percebi que ela era muito maior de perto e que eu poderia não gostar de estar lá, embora uma vez dentro não pudesse mais sair. E atônito, comecei a me desesperar, o coração bateu mais forte e senti vontade de sair correndo, ir para casa, deitar. Da mesma forma que estava deitado naquele momento, e quem sabe chorando e pensando por que preferi ficar deitado, sozinho, chorando, que estar na roda-gigante me divertindo com meus pais, pessoas que mais amei até hoje. Lembrei-me que já fora mais corajoso. Eu não corri e nem desisti de enfrentar aquela roda imensa e que balançava com o vento do início de outono. Enfrentei com unhas e dentes e sem querer demonstrar meus sentimentos aos meus pais, que perceberam mesmo assim minha preocupação e me acalmaram, oferecendo algodão-doce. Foi uma das noites mais felizes da minha vida. Diverti-me muito mais que pudesse imaginar e não senti medo nenhum, além de estar com as pessoas que significavam tudo para mim naquele momento. E, agora, depois de grande e com pentelhos, tive medo de encarar meus novos medos. Meus medos de adolescente.
Mudando o foco do meu raciocínio, me imaginei uma pessoa forte, corajosa. Eu havia sim, naquela noite enfrentado um de meus medos. Talvez eu não me sentisse seguro o suficiente para enfrentar todos os meus medos de uma só vez, mas pelo menos tudo que fiz no cinema, no carro, eu nunca imaginei que teria coragem de fazer, e se fiz era motivo para me sentir orgulhoso de mim mesmo. Eu havia superado algo, e outro dia superaria outras coisas.

Um comentário:

Wise-Boy disse...

Melhor publicação ta xuxa.