
A morte do meu pai foi sim uma morte um tanto estranha. Ele estava a caminho do trabalho, jardineiro desde que o conheço por gente, e quando a notícia chegou até mim ele já não estava mais aqui conosco, mas em outra dimensão. Fiquei sabendo através da Dona Rita, minha vizinha. Quando o marido dela passou pela estrada e viu o corpo do meu pai estirado no chão, logo verificou a pulsação. Pulsava e respirava. Chamou os bombeiros que chegaram muito rápido até o local. Depois ligou para a esposa e explicou onde estava e o que tinha acontecido. No caminho ao hospital, ele se foi para sempre. Seu Salézio não entendera muito bem e por muito tempo ninguém entendeu perfeitamente. Alguns achavam que ele teria se matado, outros diziam que ele tinha sido assassinado. O fato é que foi atropelado e de qualquer forma, o motorista não quis saber de ajudar, portanto, pela atitude, para mim estava se entregando, confirmando que fizera por maldade. Se bem que mesmo que não fosse de propósito, atropelar alguém deve ser uma situação tão apavorante que no momento é natural que se fuja do local por medo de ser acusado. Ainda mais se o estado do cidadão for como o de meu pai. Dizem que ele estava muito machucado. Eu felizmente não pude vê-lo dessa forma.
- Meu pai foi atropelado. Alguém o matou, eu sei disso. E não foi sem querer. Ele andava sempre com cuidado na beira da estrada, eu sei que ele foi jogado longe... Aquela estrada nem é movimentada. Alguém planejou tudo, e ainda estava em alta velocidade, eu sei. Meu pai não seria tão fraco a ponto de se matar. E eu sei que um dia descobrirão quem foi o assassino. E ele vai pagar por todo sofrimento que me causou. Desgraçado. Ainda fugiu... Ajude-me a esquecer tudo isso tia, eu to mal. E por fazer me sentir assim, quero que apodreça na cadeia – E chorava, e gaguejava por causa dos soluços.
- Tudo bem Kelvin. Espero também. Eu apenas digo isso porque acredito na hipótese de seu pai ter descoberto tudo sobre sua mãe e tentado suicídio. Não estou a culpando. Nem afirmando coisas que não sei. Longe de mim. São apenas coisas que passam pela minha cabeça. E penso muito nisso. E acabo tendo essas suposições às vezes.
- Meu pai foi atropelado. Alguém o matou, eu sei disso. E não foi sem querer. Ele andava sempre com cuidado na beira da estrada, eu sei que ele foi jogado longe... Aquela estrada nem é movimentada. Alguém planejou tudo, e ainda estava em alta velocidade, eu sei. Meu pai não seria tão fraco a ponto de se matar. E eu sei que um dia descobrirão quem foi o assassino. E ele vai pagar por todo sofrimento que me causou. Desgraçado. Ainda fugiu... Ajude-me a esquecer tudo isso tia, eu to mal. E por fazer me sentir assim, quero que apodreça na cadeia – E chorava, e gaguejava por causa dos soluços.
- Tudo bem Kelvin. Espero também. Eu apenas digo isso porque acredito na hipótese de seu pai ter descoberto tudo sobre sua mãe e tentado suicídio. Não estou a culpando. Nem afirmando coisas que não sei. Longe de mim. São apenas coisas que passam pela minha cabeça. E penso muito nisso. E acabo tendo essas suposições às vezes.

Um comentário:
Deve ser muito ruim mesmo perder alguem que a gente ama assim de repente... wise chora.
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