sexta-feira, 14 de agosto de 2009


Antes que Susan começasse a me agredir, reforcei a frase e a mencionei ainda mais alto.
- Eu estou completamente apaixonado pelo Beny.
Eu posso me lembrar do olhar dela de raiva. Mostrou-se muito irritada e eu não entendi o porquê. Tudo bem, ela tinha todo direito de se sentir assim, afinal fora uma resposta muito verdadeira e que ela com certeza não esperava que fosse sair de dentro de mim com tanta convicção. Mas o que eu não me conformava é que ela demonstrava estar irritada não pela situação em si, mas comigo, por eu estar sentindo o que sentia, como se eu tivesse alguma culpa por ter me apaixonado pela pessoa errada, ou certa. O fato é que ela recebera a resposta como se esta fosse uma notícia de morte de um ente querido, ou um exame final do colégio no qual ela não teria tido sucesso. E começou a me olhar, encarando, como se estivesse querendo dizer “Olha aqui rapaz, não se atreva a tentar alguma coisa com o meu namorado ou eu serei obrigada a matá-lo da pior forma que você pode imaginar”. Sorte que não falara isso, apenas pensara. Ou eu imaginara que pudesse estar pensando assim. Respirou fundo. Quebrou o silêncio.
- Eu não acredito.
Falou por impulso, porque acreditava sim e havia bastante tempo já. Talvez não acreditasse que eu tivera coragem de falar aquilo. Eu entendia perfeitamente sua reação.
- No fundo eu já sabia. – Choramingou como se quisesse que eu pedisse perdão por estar fazendo-a sofrer assim. Mas nem seu drama diante de mim, deixou-me mais frágil e resolvi terminar a conversa.
- Então é isso! Preciso ir para casa. – Precisava ir para casa chorar mais um pouco. Chorar deitado na cama era melhor do que no meio da rua.
E Susan aceitou minha despedida numa boa sem pestanejar. Parecia já ter ouvido coisas o suficiente naquele dia e também resolvera ir para casa, não comigo. Ao chegar, enquanto eu tomava água, olhando pela janela da cozinha pude vê-la chegando e passando direto, sem olhar para minha casa. Entrou no seu terreno quase ao lado do meu e fez algo que não pude ver, nem ouvir. Enquanto isso, mamãe sumira e eu, como estava acostumado, sabia que ela voltaria, se não no mesmo dia à noite, no outro pela manhã, sem explicações.

Um comentário:

Wise-Boy disse...

coitada da susan, mas kelvin é xuxa, tirando todo seu medo pra fora.