sábado, 15 de agosto de 2009


Segunda-feira. Levantei-me cedo. As aulas estavam começando novamente. Um ano letivo que prometia ser cansativo. Diziam que o segundo ano do ensino médio era o pior. Eu não me amedrontava nem um pouco com esses comentários, mas ao lembrar das provas, dos trabalhos que daqui a alguns dias eu estaria me dedicando a fazer, em certos momentos eu desanimava. As férias causam uma zona de conforto muito grande dentro de mim e até fazer com que a engrenagem volte a se movimentar no ritmo dos estudos, ainda passam por ela muito sono, preguiça e má vontade. Aliás, este ano prometia ser um ano ainda mais pesado porque eu decidira que procuraria um emprego sem deixar de estudar como sempre estudei. Talvez um estágio remunerado fosse uma ótima alternativa. O fato era que eu precisava, de um jeito ou de outro, trabalhar fora de casa. Ocupar a minha cabeça era uma opção importante para me fazer esquecer de meus problemas.

Primeiro dia de aula era sempre assim. Professores se apresentando e apresentando o plano de ensino. Eu estava morrendo de sono. No intervalo, quando todos os alunos mais pareciam estar sendo libertados de suas jaulas, Susan veio conversar comigo. Eu imaginei que ela fosse declamar um sermão por tudo que eu havia revelado anteriormente à ela, mas me surpreendi quando ela começou a me dizer as primeiras palavras.
- Oi Kelvin. Você viu o Beny?
Agora não estavam mais estudando na mesma turma. Podiam se encontrar apenas em momentos comuns a todos os alunos. Eu gostava disso.
- Não o vi hoje. Ele não estava na sala?
- Não... Ficamos em salas diferentes, não sei por que dividiram a turma dessa forma. – Resmungou de forma triste, porém meiga.
- Procure na lanchonete. Ele pode estar lá.
E foi. Mas antes me disse algo bem confortante.
- Se eu demorar é porque o encontrei. Então você pode ir até lá também. Ah, eu ia me esquecendo. Eu não estou chateada com você por causa do que me disse ontem. Eu entendo perfeitamente e sei que esse tipo de coisa é muito mais do que normal. Quase todo o mundo já passou por isso. É comum duas pessoas gostarem de uma outra. Só que no nosso caso, somos primos e muito amigos então acaba parecendo que é mais difícil. Mas não é. A gente só precisa esperar que o tempo irá nos dizer. Aliás, nessa história toda, acho que você não está tão mal assim.
Aquilo soou de uma forma a me deixar completamente curioso, mas antes que eu pudesse lhe perguntar o porquê, Susan me deu as costas e eu mal podia esperar que ela voltasse, sozinha, para que pudesse continuar o que não acabara.

Um comentário:

Wise-Boy disse...

indiretas odeio indiretas.