
Era tudo tão bom, mas o encanto acabava quando Beny surgia. Depois de todo aquele envolvimento dentro do carro, encontramo-nos mais duas vezes. No cinema novamente. Em menos de duas semanas assistimos Respiração ofegante, mais um de terror, e por fim O casal dos sonhos, um belo romance indicado por ele para que quebrássemos o gelo dos filmes que assistimos anteriormente. O problema é que agora, em cada filme eu ficava com o pensamento longe. Eu pensava em Beny. Era difícil beijá-lo pensando em outro garoto. E quando nos despedíamos vinha a pior parte. A minha revolta, por estar vivendo aquilo. Eu me culpava, e culpava Beny. Culpava todos e só não achava uma solução. Sentia-me perdido, desorientado. Por que as coisas sempre têm de ser assim? Não era mais fácil eu me apaixonar por Rafael e ficarmos juntos para sempre? Ele parecia muito a fim de mim e demonstrava querer algo sério comigo. Enquanto eu, gostava muito dele, mas quando estava sozinho pensava naquele rapaz que já tinha dona. Dona que era minha prima, minha melhor amiga. Quando Beny aparecia, eu tremia e meu coração pulsava a todo vapor. A todo o momento, nos meus desejos mais íntimos, eu tentava pensar em Rafael para que aos poucos eu fosse deixando aquele suposto amor ao Beny de lado e começasse a me interessar realmente pelo outro. Mas fazendo isso eu percebia que estava me enganando cada vez mais e talvez enganando Rafael também. Eu não poderia continuar saindo com ele se a todo o momento não tirava Beny da cabeça. Por mais que seu beijo fosse bom, seu toque, o sexo... Enfim, o prazer carnal fosse perfeito, não era com aquele garoto que eu sonhava estar ao lado por anos. E de vez em quando ao pensar em tudo isso, toda felicidade que me cercava em festas, acabava num estalar de dedos. Eu tentava esconder e disfarçar meu sentimento, mas não conseguia. E Rafael percebia isso a cada dia. Até que finalmente aconteceu o que era previsto havia um bom tempo. Rafael cansou daquilo e ficou furioso.

Um comentário:
é nem tudo é como a gente sonha, se fosse assim não teria graça.
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